Espécies BrasileirasCPOEspécies Brasileiras

Cultivo das Bromélias


Em termos de cultivo, não se pode ditar regras que sirvam para todas as bromélias, visto que as mesmas ocorrem na natureza das mais diversas formas, ou seja, epífitas quando nascem sobre árvores, rupícolas quando ocorrem sobre rochas, terrestres quando nascem diretamente sobre o solo. E mesmo neste último caso, o solo pode ser desde a pobre areia de uma praia até o rico solo composto por grande quantidade de matéria orgânica encontrado no interior de uma floresta. Além disso, uma mesma espécie de bromélia pode ocorrer na natureza em vários sistemas e tipos de hábitat diferentes.
Para se ter sucesso no cultivo, é portanto ideal que se tente conhecer o máximo possível a respeito de cada planta que se queira manter.
Para nossa sorte entretanto, a maioria das bromélias é bastante resistente e consegue sobreviver durante certo tempo a tratos inadequados, dando-nos tempo de perceber que as coisas não estão indo muito bem e com isso tentar solucionar o problema. Observar freqüente e atentamente nossas plantas é portanto a melhor maneira de percebermos se o tratamento e cuidados que estamos dispensando a elas é adequado ou não.
Podemos entretanto tentar dividir as bromélias em três grupos com exigências particulares de cultivo: bromélias dotadas de “tanque”, onde acumulam água e nutrientes, bromélias terrestres desprovidas de “tanques” e “bromélias aéreas”.
A maior parte das espécies que cultivamos se enquadra na categoria das bromélias “tanque-dependentes” ou semidependentes. Fazem parte deste grupo a maioria das Vriesia, Neoregelia, Aechmea, Billbergia, Guzmania, Canistrum, etc.
São plantas que possuem as folhas dispostas de maneira a formar no centro da mesma uma cavidade que acumula água e detritos orgânicos. São plantas dotadas de um sistema radicular que lhes possibilita retirar do solo ou substrato onde esteja plantada tudo o que necessita para seu desenvolvimento. Ocorrendo entretanto falta de nutrientes nas raízes, estas plantas buscam seu sustento na água acumulada em seu interior.

Neoregelia carolinae L. B. Smith
foto: Artur N. Heger
Temos obtido sucesso no cultivo destas plantas com um substrato composto por partes iguais de terra, areia lavada, húmus de minhoca e pó de xaxim. Experiências em que o pó de xaxim é substituído por casca de pinus triturada ou outros resíduos orgânicos fibrosos aparentemente também tem dado bom resultado. Dependendo da qualidade da terra e do húmus utilizados, a porcentagem dos componentes pode ser alterada para que a mistura mantenha um aspecto leve e solto, não empedrando quando comprimida com as mãos. No fundo dos vasos colocamos uma camada de pedras para facilitar o escoamento da água. É indispensável que o “tanque” destas plantas seja mantido sempre com água. Além do material orgânico incorporado ao solo, estas plantas aceitam bem adubação química foliar em dosagem mais fraca que a indicada pelos fabricantes, ou adubação por meio de adubos granulados que liberam os nutrientes por osmose colocados na superfície dos vasos, evitando-se seu contato direto com as raízes e com a base da planta. O controle e combate de pragas será abordado oportunamente em matéria específica. Entretanto, nunca é demais lembrar que não se deve utilizar em bromélias fungicidas ou inseticidas que contenham cobre ou outro metal em sua fórmula, pois os mesmos podem causar danos aos tecidos vegetais dessas plantas.
No grupo das bromélias desprovidas de tanque, podemos enquadrar os Cryptanthus, Orthophytum, Dyckia, Pitcairnea, etc. São elas plantas que não acumulam água no centro de suas folhas, ou quando o fazem, é em pequena quantidade não servindo portanto para suprir as necessidades da planta.
Orthophytum mello-barretoi L. B. Smith
foto: Artur N. Heger
Se nas bromélias dotadas de tanque um substrato rico em nutrientes é sempre bom, nas desprovidas ele é indispensável, pois se os nutrientes não estiverem disponíveis no solo a planta não terá onde buscá-los. Para estas bromélias temos utilizado também com sucesso o substrato indicado acima. Como as Dyckia e boa parte dos Orthophytum são originários de regiões secas, temos aumentado para estas plantas a proporção de areia, o que assegura uma boa drenagem do solo. Damos também especial atenção à camada de pedras colocada no fundo do vaso para evitar o acúmulo de água e provável apodrecimento das raízes e conseqüente morte da planta.O terceiro grupo, das chamadas “bromélias aéreas”, é composto basicamente pela maioria das espécies de Tillandsia. São elas plantas que ocorrem na natureza sobre cactáceas, em finos galhos de árvores, em paredes de rocha nua, onde não se acumula nenhum tipo de detritos, e podem inclusive ser encontradas nascendo espontaneamente em arames de cercas e em fios elétricos, de onde logicamente nada podem extrair para seu sustento. As folhas destas bromélias são dotadas de minúsculas “escamas” que geralmente lhes confere um aspecto prateado quando secas e esverdeado quando molhadas, e que têm a capacidade de absorver água e nutrientes do ar. Pode em principio parecer estranho, mas de que outra maneira poderia uma planta sobreviver presa a um fio elétrico?Para o cultivo destas plantas não utilizamos nenhum tipo de substrato. Apenas fixamos a planta a um apoio tipo uma gaiola de madeira, um toco seco, um pedaço de casca de árvore, uma rolha, uma pedra ou outro suporte qualquer.
Tillandsia ionantha enraizada em uma rolhaEnraizamento de Tillandsia sp. em gaiola de madeira
fotos: Artur N. Heger
Para manter a planta fixa no local escolhido até que a mesma enraíze, usamos normalmente um pedaço de fitilho plástico. Existe fora do Brasil uma cola de silicone própria para colar a planta no suporte desejado, e já nos disseram que o silicone utilizado para colar vidros de aquário pode também ser utilizado para este fim. Nunca testamos, mas fica aí a idéia. Embora estas plantas tenham tão poucas exigências de cultivo, não podemos nos esquecer que elas devem ser molhadas com freqüência. A pulverização periódica com um adubo foliar bem diluído, embora não seja indispensável ajuda bastante no desenvolvimento da planta.
Antes de encerrar este capítulo sobre cultivo de bromélias, gostaríamos apenas de mostrar algumas formas coma a planta indica que nossos cuidados não estão sendo satisfatórios:
- Se as folhas novas de uma bromélia começam a nascer muito longas e estreitas em relação as folhas anteriores, sua planta deve ter sido colocada em um local muito sombrio.
- Do mesmo modo, a perda de coloração ou aumento da intensidade do verde das folhas também indica falta de luminosidade.
- Se as folhas externas começam repentinamente a apodrecer, a planta pode estar recebendo excesso de água.
- Manchas “secas” no meio das folhas costumam indicar queimaduras pela incidência direta de sol.
- A aplicação de fertilizante ou defensivo muito concentrado ou em horários de muito calor ou ainda sob a incidência direta do sol, também costuma causar sérios danos às folhas das bromélias.
Nunca é demais lembrar que grande parte das bromélias é admirada por suas belas folhas. Descuidos no transporte ou manuseio da planta podem machucar uma folha e embora isto não chegue a prejudicar seriamente a planta, esteticamente pode ser um grande desastre.